Em prática — MBE aplicada às quatro grandes perguntas clínicas
A MBE não é uma teoria abstrata — é instrumento aplicado a perguntas reais da prática. Cada área clínica gera tipos de perguntas característicos, com desenhos de estudo apropriados, vieses específicos a vigiar, e ferramentas de avaliação adequadas.
Esta seção integra os conceitos do site em quatro áreas práticas, cada uma com um caso clínico desenvolvido, do reconhecimento da dúvida até a avaliação do resultado.
As quatro áreas
Diagnóstica
Acurácia de testes — sensibilidade, especificidade, valores preditivos, razões de verossimilhança. Caso: rastreamento de câncer de colo em Nampula (VIA × Pap × HPV-DNA).
LerTerapêutica
Eficácia e efetividade de intervenções — RR, NNT, IC95%, e a diferença entre interpretação bayesiana e frequencialista. Caso: cetamina vs. etomidato em paciente crítico.
LerPreventiva
Redução de risco em pessoas assintomáticas — vacinas, rastreamentos, profilaxias. Caso: IPTp para malária em gestantes em Chókwè (Moçambique).
LerPrognóstica
Trajetória da doença e fatores que a modificam — coortes, hazard ratio, comunicação de incerteza. Caso: IC + DRC com dapagliflozina (DAPA-HF + DAPA-CKD).
LerO que é comum a todas as áreas
Cada caso percorre os mesmos cinco passos:
- Ask — formular pergunta clínica estruturada (PICO + SMART)
- Acquire — buscar evidência de qualidade, com fontes apropriadas
- Appraise — avaliar criticamente o que foi encontrado, com ferramenta adequada (RoB para ECR, AMSTAR-2 para revisão sistemática, QUADAS-2 para teste diagnóstico)
- Apply — aplicar ao paciente real, considerando preferências, contexto e recursos
- Assess — refletir sobre o processo e o resultado
Os 5As são iguais em todas as áreas. O que muda são os tipos de estudo, as ferramentas, os vieses dominantes e a forma de interpretar números. Por isso vale dedicar uma página inteira a cada área.
O que é específico a cada área
| Área | Desenho típico | Ferramenta | Métrica chave |
|---|---|---|---|
| Diagnóstica | Estudo de acurácia (teste vs. padrão-ouro) | QUADAS-2 | Sensibilidade, especificidade, RV+, RV− |
| Terapêutica | ECR ou meta-análise de ECRs | RoB 2.0, AMSTAR-2 | RAR, NNT, NNH, IC95% |
| Preventiva | ECR ou estudo de coorte; recomendação de força-tarefa | RoB 2.0, GRADE | NNT (em escala populacional), eventos evitados, danos |
| Prognóstica | Estudo de coorte prospectivo | QUIPS (Quality In Prognosis Studies) | Sobrevida, hazard ratio, fatores prognósticos |
Como usar esta seção
Cada página apresenta:
- Cenário clínico com paciente concreto
- Pergunta estruturada em PICO
- Estratégia de busca apropriada
- Avaliação crítica da evidência encontrada
- Aplicação ao paciente, com considerações de contexto e preferência
- Reflexão final sobre processo e resultado
Os casos são fictícios, mas baseados em situações reais e em evidência real. Os números são confiáveis. As decisões refletem boa prática.
Conceitos que sustentam todas as áreas
Antes de avançar para qualquer página específica, vale ter à mão:
- Visão geral dos 5As — o ciclo aplicado em todas as áreas
- PICO — estrutura da pergunta
- Pirâmide de evidências — desenhos por força de evidência
- Medidas de efeito — RR, RAR, NNT, IC95%
- Decisão compartilhada — como traduzir evidência em conversa