Glossário
Vocabulário essencial da MBE em ordem alfabética. Cada verbete define o termo de forma direta e remete à página onde o conceito é trabalhado em detalhe.
A
Acquire (Buscar) — Segundo dos 5As. Buscar a melhor evidência disponível para responder à pergunta clínica formulada. → Acquire
AMSTAR-2 — A MeaSurement Tool to Assess systematic Reviews. Ferramenta de 16 itens para avaliar a qualidade metodológica de revisões sistemáticas. → AMSTAR-2
Apply (Aplicar) — Quarto dos 5As. Integrar evidência, contexto e preferências do paciente para tomar a decisão clínica. → Apply
Appraise (Avaliar) — Terceiro dos 5As. Avaliar criticamente a evidência encontrada quanto à validade, importância e aplicabilidade. → Appraise
Ask (Perguntar) — Primeiro dos 5As. Transformar dúvida clínica em pergunta investigável estruturada. → Ask
Assess (Monitorar) — Quinto e último dos 5As. Avaliar resultado clínico e o processo que levou à decisão. → Assess
C
Caso-controle — Desenho de estudo retrospectivo que compara grupo com a doença (casos) e grupo sem (controles), investigando exposições prévias. Útil para doenças raras.
CASP — Critical Appraisal Skills Programme. Conjunto de checklists para avaliação crítica de diferentes tipos de estudo. → CASP
Cegamento — Procedimento em que pacientes, profissionais ou avaliadores não sabem qual intervenção foi alocada a quem. Reduz viés de aferição.
Coorte — Desenho de estudo que acompanha grupo de pessoas ao longo do tempo, registrando exposições e desfechos. Apropriado para questões de prognóstico.
CTFPHC — Canadian Task Force on Preventive Health Care. Força-tarefa criada em 1976, primeira no mundo dedicada a recomendações preventivas baseadas em evidência. → Diretrizes e forças-tarefa
D
Decisão compartilhada — Processo em que profissional e paciente decidem juntos a conduta, integrando evidência e preferências. → Decisão compartilhada
Desfecho composto — Combinação de múltiplos eventos como desfecho único de um estudo (ex.: morte cardiovascular ou hospitalização ou IAM). Aumenta poder estatístico, mas pode obscurecer efeitos diferentes nos componentes.
Desfecho substituto — Marcador biológico ou intermediário usado em lugar de desfecho clínico final (ex.: LDL em vez de IAM; HbA1c em vez de mortalidade). Atalho útil mas perigoso. → Medidas de efeito
E
ECR — Ensaio Clínico Randomizado. Desenho de estudo em que participantes são alocados aleatoriamente entre intervenção e comparador. Padrão-ouro para questões de eficácia.
Especificidade — Proporção de não-doentes corretamente identificados como negativos pelo teste. Teste muito específico → resultado positivo confirma a doença (SpPin). → Testes diagnósticos
F
Falso negativo — Pessoa com a doença que recebe resultado negativo no teste.
Falso positivo — Pessoa sem a doença que recebe resultado positivo no teste.
Foreground vs. background — Distinção entre pergunta clínica focada e específica (foreground) e pergunta ampla sobre tema (background). Cada uma demanda fonte distinta. → Dúvidas clínicas
G
GRADE — Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation. Sistema para avaliar certeza da evidência (alta, moderada, baixa, muito baixa) e força da recomendação (forte ou fraca). → GRADE
H
Hazard ratio (HR) — Razão de risco que considera o tempo até o evento. Comum em análises de sobrevida e estudos de prognóstico.
Heterogeneidade — Variação entre estudos de uma meta-análise. Pode ser estatística (I²) ou clínica (diferenças nas populações, intervenções, desfechos).
HPV-DNA — Teste molecular para detecção de papilomavírus humano oncogênicos. Recomendado pela OMS como rastreamento primário de câncer de colo. → Em prática — diagnóstica
I
IC95% (Intervalo de Confiança 95%) — Faixa que tem 95% de probabilidade de conter o valor verdadeiro do efeito na população. Quando cruza o valor de "sem efeito" (1 para RR/OR; 0 para RAR), o resultado não é estatisticamente significativo.
Incidência — Taxa de novos casos numa população em determinado período. Diferente de prevalência. → Medidas de frequência
IPTp — Intermittent Preventive Treatment in pregnancy. Estratégia preventiva da malária na gestação, com sulfadoxina-pirimetamina. → Em prática — preventiva
M
MeSH / DeCS — Medical Subject Headings (vocabulário controlado do PubMed) e Descritores em Ciências da Saúde (BIREME). → Como buscar
Meta-análise — Combinação estatística dos resultados de múltiplos estudos numa revisão sistemática. → Desenhos de estudo
N
NICE — National Institute for Health and Care Excellence. Agência do Reino Unido, criada em 1999, que produz diretrizes considerando evidência e custo-efetividade. → Diretrizes e forças-tarefa
NNH — Number Needed to Harm. Número de pacientes tratados para um desenvolver efeito adverso. → Medidas de efeito
NNT — Number Needed to Treat. Número de pacientes que precisam ser tratados para um evitar desfecho indesejado. → Medidas de efeito
O
Odds Ratio (OR) — Razão de chances. Próxima ao Risco Relativo quando o desfecho é raro; superestima RR quando é comum. Obrigatória em estudos caso-controle.
P
Padrão-ouro — Teste de referência considerado correto, contra o qual se compara o teste em avaliação. → Testes diagnósticos
PEO — Variação do PICO para perguntas etiológicas (sem comparador): População, Exposição, Outcome. → PICO
PICO — Estrutura de pergunta clínica: Paciente, Intervenção, Comparação, Outcome (desfecho). → PICO
Pirâmide de evidências — Hierarquia visual dos desenhos de estudo por força da evidência. → Pirâmide de evidências
POEMs vs. DOEs — Patient-Oriented Evidence that Matters vs. Disease-Oriented Evidence. Distinção entre evidência que muda conduta clínica vs. mecanismo de doença. → Dúvidas clínicas
Prevalência — Proporção de pessoas com a condição em determinado momento. → Medidas de frequência
PUNs e DENs — Patient's Unmet Needs e Doctor's Educational Needs. Duas categorias de aprendizado que casos clínicos geram. → Dúvidas clínicas
R
Randomização — Alocação aleatória de participantes entre grupos. Distribui fatores de confundimento (conhecidos e desconhecidos) entre os grupos.
RAR — Redução Absoluta de Risco. Diferença entre risco do controle e risco da intervenção, em pontos percentuais. → Medidas de efeito
Rastreamento — Teste em pessoas assintomáticas para detectar precocemente risco de doença. → Rastreamento
Razão de Verossimilhança (RV+ e RV−) — Métricas que indicam quanto o resultado de um teste muda a probabilidade de doença. Independem da prevalência. → Testes diagnósticos
Revisão sistemática — Síntese de estudos primários sobre uma pergunta específica, com método explícito de busca, seleção e avaliação. → Desenhos de estudo
Risco Absoluto (RA) — Probabilidade ou incidência de um evento ocorrer em um grupo. → Medidas de efeito
Risco Relativo (RR) — Razão entre os riscos absolutos de dois grupos. RR = 1 sem efeito; < 1 protege; > 1 causa dano. → Medidas de efeito
RoB 2.0 — Risk of Bias 2.0. Ferramenta da Cochrane para avaliar risco de viés em ensaios clínicos randomizados. → RoB 2.0
RRR — Redução Relativa de Risco. Proporção do risco do controle eliminada pela intervenção. Pode enganar quando isolada de RAR e NNT. → Medidas de efeito
S
Sensibilidade — Proporção de doentes corretamente identificados como positivos pelo teste. Teste muito sensível → resultado negativo descarta a doença (SnNout). → Testes diagnósticos
SHARE Approach — Modelo de decisão compartilhada da AHRQ. Cinco etapas: Seek, Help, Assess, Reach, Evaluate.
Sistema 1 e Sistema 2 — Duas modalidades de pensamento (Kahneman) — rápido/intuitivo e lento/analítico — que coexistem na decisão clínica. → Raciocínio clínico
SMART — Critérios para avaliar qualidade da pergunta clínica: Specific, Measurable, Achievable, Relevant, Timely. → SMART
Sobrediagnóstico — Detecção de condições que nunca causariam problema clínico. Risco frequente em rastreamento.
T
Transversal — Desenho de estudo que coleta dados num único momento. Útil para prevalência.
U
USPSTF — United States Preventive Services Task Force. Força-tarefa norte-americana, criada em 1984. Sistema próprio A/B/C/D/I de classificação de recomendações. → Diretrizes e forças-tarefa
V
VIA — Visual Inspection with Acetic acid. Método de rastreamento de câncer de colo, recomendado pela OMS para contextos de baixa renda. → Em prática — diagnóstica
Viés — Erro sistemático que distorce resultados numa direção específica. Diferente de erro aleatório. → Vieses
VPN — Valor Preditivo Negativo. Probabilidade de não ter a doença, dado teste negativo. → Testes diagnósticos
VPP — Valor Preditivo Positivo. Probabilidade de ter a doença, dado teste positivo. Depende fortemente da prevalência. → Testes diagnósticos
W
Wilson-Jungner — Os 10 critérios clássicos da OMS (1968) para programa de rastreamento populacional.